Podemos confiar na Bíblia mais do que na ciência evolucionária?

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Nota do tradutor:
O ensaio elaborado pelo Dr. James N. Anderson, apesar de não conter detalhes técnicos e científicos sobre a discussão Evolucionismo vs. Criacionismo, servirá de grande ajuda aos cristãos que se deparam com argumentos ateístas e secularistas. O mecanismo por trás do processo de seleção de teorias científicas é analisado e comentado de tal maneira que dá ao cristão comum ferramentas suficientes para fornecer uma defesa filosófica racional de sua posição no debate em questão. Como um cientista em formação, esse ensaio me ajudou a perceber e relembrar várias coisas que fazemos ao obter evidências empíricas e, creio eu, que será de grande proveito para todas as classes de cristãos.
Erving Ximendes

Não é segredo algum que uma das principais razões dadas pelos descrentes para não crer na Bíblia é que a ciência moderna (especificamente, a ciência evolucionária) mostrou que o relato da Bíblia concernente à origem do homem está incorreto. De fato, a ciência evolucionária não é meramente um obstáculo para descrentes; ela também pode ser uma pedra de tropeço para cristãos professos. Existem muitos crentes tentando desesperadamente reconciliar uma alta consideração pela Bíblia com as alegações científicas mais comuns acerca de nossas origens evolucionárias, e aqueles que não conseguem fazer isso acabam por invariavelmente diminuir a doutrina das Escrituras. Em alguns casos esse é apenas o primeiro passo a um abandono quase completo da ortodoxia cristã. Tanto para crentes quanto para descrentes, as alegações da ciência evolucionária apresentam um desafio sério à confiabilidade da Bíblia.

Podemos confiar na Bíblia mais do que na ciência evolucionária? Duvido que seja necessário eu escrever um “alerta de spoiler” antes de revelar que minha resposta à pergunta será um enfático “sim”. Ainda assim, muito precisa ser discutido antes de chegar à essa conclusão afirmativa. Por que podemos confiar na Bíblia mais do que na ciência evolucionária? Com base em quê podemos responder a essa pergunta com um “sim” de confiança? Esse será o foco primário deste artigo. Durante isso, no entanto, eu quero dizer algumas coisas importantes sobre como devemos tratar essa questão (e questões similares sobre a confiabilidade da Bíblia) para que os leitores possam ser melhor equipados para lidar com esse é outros desafios às Escrituras.[1]

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Donald Trump e o Juízo de Deus sobre uma nação

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Todos nós somos familiares com a seguinte frase de João Calvino:

“Quando Deus deseja julgar uma nação, Ele lhes dá governantes ímpios.”

Os que acompanham o programa Dividing Line sabem muito bem que o Pr. James White vem repetindo essa frase desde que a nação estadounidense deu preferência a Hillary e Trump na pré-candidatura. De um lado eles tinham uma mulher corrupta com uma agenda secularista e do outro alguém de comportamento réprobo que fingia ser um cristão e que nunca se posicionou sobre assuntos importantes (como o aborto) nos debates presidenciais. Nesse breve comentário, o Pr. James White responde a uma pergunta ingênua feita por um cristão que tomou Donald Trump como um messias político dos EUA (e talvez até como um avivador espiritual).
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Colocando as cartas na mesa: o tema da redação do Enem e a intolerância da Internet

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Os comentários nas redes sociais sobre o tema da redação do maior exame nacional do país, o Enem 2016, foram unânimes: o MEC acertou na escolha do tema. Em toda a internet, de professores a comentaristas políticos e, inclusive, teólogos concluíram ser o tema pertinente e atual. Entretanto, nota-se, nesses comentários, certa confusão sobre o termo laicidade e também uma tendência a ver intolerância por parte, apenas, das religiões cristãs. A verdade é que laicidade não é assumir que todas as religiões estão certas e muito menos assumir que todas estão erradas; e não, não foram os cristãos que inventaram a intolerância.

Pois bem, os estudantes que foram ao segundo dia de prova do Exame Nacional do Ensino Médio tiveram 5h30 para discorrer sobre o tema “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”, além de responder 90 questões das provas de Linguagens e Matemática. Os estudantes, portanto, deveriam formular uma proposta de intervenção, que de acordo com o próprio enunciado seria a solução para combater/reprimir a intolerância religiosa no Brasil. A prova dispôs de quatro textos motivadores, uma nota do Ministério Público sobre a laicidade do Estado, um trecho da Constituição Federal; por fim, dois fragmentos de reportagens, destacando a violência religiosa como crime inafiançável e o número de denúncias sobre discriminação de crença, compuseram a coletânea.

A coletânea, portanto, é bastante precisa por dar provas com dados de que há intolerância no país e o foco deveria ser o combate à discriminação religiosa. E segue a mesma linha de temas sociais do ano anterior (a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira), já que em outros anos dividiu as opiniões dos estudantes quanto a movimento migratório e também quando o tema foi publicidade infantil. Neste ano, não há como defender a intolerância, pois, assim como no ano passado, é se colocar contra os direitos humanos e ao próprio edital do Enem.

Porém, o que se tem visto na internet é um desvio da proposta do tema já que, em alguns comentários, os estudantes parecem colocar evangélicos como os principais alvos de críticas e os mais intolerantes. Um dos comentários mais curtidos na página Esquerda Revolucionária, que publicou a imagem abaixo, diz o seguinte: “Se alguém te ofendeu por ser cristão isso é lamentável e essa pessoa é um babaca. Mas babaquice não é Cristofobia (sic)”.
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Pequenos detalhes que todo cristão deveria saber – Parte 2

Seguindo nossa série de posts, dessa vez trataremos, através de uma adaptação de um artigo produzido pelo Dr. Michael Kruger, da questão da compilação do Cânon do Novo Testamento.

Ao investigar esse assunto, os estudiosos gostam de destacar a primeira vez que encontramos uma lista completa de 27 livros. Sem nenhuma surpresa, a lista contida na famosa Carta Pascoal (367 d.C) de Atanásio é mencionada como a primeira vez que algo assim aparece na história da Igreja Cristã.

Como resultado, frequentemente ouvimos que o Novo Testamento foi um fenômeno tardio e que os cristãos não possuíam o Novo Testamento até o final do quarto século. No entanto, esse tipo de raciocínio é problemático em vários níveis. Em primeiro lugar, nós não avaliamos a existência do Novo Testamento apenas através da existência de listas. Se examinamos a maneira que certos livros foram usados pelos pais da igreja primitiva, fica evidente que existia um cânon operante muito antes do quarto século. De fato, lá pelo segundo século já existe uma coleção central de livros do Novo Testamento funcionando como Escrituras.

Em segundo lugar, existem razões para acreditar que a lista de Atanásio não é a mais antiga lista completa que possuímos. O Dr. Michael Kruger argumenta que, por volta de 250 d.C., Orígenes produziu uma lista completa contendo os 27 livros do Novo Testamento (mais de 100 anos antes de Atanásio). Em sua maneira tipicamente alegórica, Orígenes usou a história de Josué para descrever o cânon do Novo Testamento:

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Pequenos detalhes que todo cristão deveria saber – Parte 1

Essa série de posts terá o propósito de apresentar detalhes que passam desapercebidos ou são desconhecidos por grande parte dos cristãos mas que tem uma influência muito grande na eficácia de argumentos na apologética. Nesse primeiro post iremos tratar de um detalhe útil nas discussões com arianos e antitrinitarianos em geral. Ele é conhecido como a regra de Granville Sharp

No Grego Koiné existe uma regra gramatical simples, porém muito importante, que está diretamente relacionada à Divindade do Senhor Jesus Cristo conforme exposta nas Escrituras: a regra de Granville Sharp. Ela basicamente lida com o sentido de passagens como Tito 2:13 e 2 Pedro 1:1, cujas traduções são deturpadas por grupos antitrinitarianos. Sendo assim, acreditamos que todo cristão deve estar informado a respeito desse assunto (ainda que de maneira breve).

A regra de Granville Sharp afirma que caso encontremos dois substantivos descrevendo uma pessoa (que não sejam substantivos próprios como Paulo, Silas ou Timóteo) e eles estejam ligados pelo conectivo “e”, com o primeiro apresentando o artigo (“o”) e o segundo não, então ambos substantivos estarão se referindo à mesma pessoa. Isso é exemplificado em nossos textos pelas palavras “Deus” e “Salvador” em Tito 2:13 e 2 Pedro 1:1:

… enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo.” (Tito 2:13)

Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, àqueles que, mediante a justiça de nosso Deus e Salvador Jesus Cristo, receberam conosco uma fé igualmente valiosa” (2 Pedro 1:1)

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Ateísmo, Amoralismo e Não-racionalismo

Ateísmo e Amoralismo

Em Abril de 2010, o eticista Joel Marks sentou-se em frente ao seu computador e escreveu uma confissão para os leitores da coluna “Moral Moments” na revista Philosophy Now. Sua confissão dizia que ele tinha feito algo imoral. Sua confissão era que ele não poderia ter feito qualquer coisa imoral, em qualquer momento de sua vida, pois não exista coisa como a moralidade. Ou, ao menos, isso foi o que ele concluiu. O autor de “Moral Moments” saiu do armário como uma “amoralista ‘. Como ele mesmo coloca na primeira parte do seu “Manifesto Amoral”:

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