Ateísmo, Amoralismo e Não-racionalismo

“Sem Deus, tudo é permitido” – Fyodor Dostoevsky

Ateísmo e Amoralismo

Em Abril de 2010, o eticista Joel Marks sentou-se em frente ao seu computador e escreveu uma confissão para os leitores da coluna “Moral Moments” na revista Philosophy Now. Sua confissão dizia que ele tinha feito algo imoral. Sua confissão era que ele não poderia ter feito qualquer coisa imoral, em qualquer momento de sua vida, pois não exista coisa como a moralidade. Ou, ao menos, isso foi o que ele concluiu. O autor de “Moral Moments” saiu do armário como uma “amoralista ‘. Como ele mesmo coloca na primeira parte do seu “Manifesto Amoral”:

Esse filósofo tem há muito tempo trabalhado sob uma hipótese que nunca foi examinada, isto é, a hipotése de que existe uma coisa como certo e errado. Eu agora acredito que não existe.

Marks imediatamente passa a explicar o raciocínio por trás de sua “epifania chocante” (negrito acrescentado):

Em poucas palavras, eu me convenci que o ateísmo implica em amoralidade; e, uma vez sendo ateu, eu devo, portanto, abraçar a amoralidade. Eu chamo a premissa deste argumento de “ateísmo rígido” porque é análogo a uma tese em filosofia conhecida como “determinismo rígido.” Este último sustenta que se o determinismo metafísico é verdadeiro, então não existe tal coisa como livre arbítrio. Assim, um “determinista suave” acredita que, mesmo que o fato de você estar lendo essa coluna agora esteja seguindo a necessidade causal do Big Bang há quatorze bilhões de anos atrás, você ainda poderia ter livremente escolhido não lê-la. Analogamente, um “ateu suave ‘iria afirmar que alguém pode ser um ateu e ainda assim acreditar na moralidade. E, de fato, todo os que formam o grupo de Neo-Ateísmo … são  ateus “suaves”. Eu também era, até experimentar a minha epifania chocante de que os fundamentalistas religiosos estão corretos: sem Deus, não há nenhuma moralidade. Mas eles estão incorretos, eu ainda acredito, sobre a existência de um Deus. Por isso, eu creio que não há moralidade.

Você entendeu: os neo-ateus como Richard Dawkins, Christopher Hitchens, Daniel Dennett e Sam Harris, são “ateus suaves”, porque eles negam a Deus mas ainda assim querem afirmar o realismo moral. O problema é que essa posição não é  coerente nem estável, porque procura afirmar um fenômeno (neste caso, as normas morais objetivas) e ao mesmo tempo negar a estrutura metafísica que plausivelmente poderia explicar esse fenômeno. Marks resume como ele raciocinou o seu caminho do ateísmo “suave” para o “rígido”:

Por que eu agora aceito o ateísmo rígido? Bem, eu fiquei impressionado com os paralelos marcantes entre a religião e a moral, especialmente com o fato de que ambas valem-se de imperativos ou comandos que são destinados a serem aplicados universalmente. No caso da religião, e mais obviamente o teísmo, estes comandos emanam de um Comandante; “E a este todas as pessoas chamam de Deus”, como Aquino poderia ter escrito. O problema com o teísmo é, claro, são as razões instáveis para se crer em Deus. Mas o problema com a moralidade, eu afirmo agora, é que ela está em forma ainda pior que a religião neste respeito; pois se houvesse um Deus, Seus comandos fariam algum tipo de sentido. Mas se Deus não existe, como obviamente os ateus afirmam, então, que sentido poderia ser feito de haver comandos deste tipo? Em suma, enquanto os teístas assumem a existência óbvia de comandos morais como uma espécie de prova da existência de um Comandante, ou seja, Deus, eu agora tomo a não-existência de um Comandante como uma espécie de prova de que não existem comandos, ou seja, de que não existe a moral.

Em alguns aspectos, a confissão de Marks não é tão surpreendente. Afinal de contas, os teístas têm feito esse mesmo tipo de argumento (sem Deus, sem moral) por séculos. Além disso, um grande número de ateus influentes já fez a “boa confissão”: Friedrich Nietzsche, Jean-Paul Sartre, J. L. Mackie, e (mais recentemente) Alex Rosenberg.

Então eu não vou focar sobre o que acho que deve ser razoavelmente evidente para aqueles que refletiram sobre os fundamentos metafísicos da moralidade. Ao invés disso, quero me concentrar em alguns comentários que Marks faz na segunda parte do seu “Manifesto Amoral” que, embora tangencial às suas preocupações, creio ser bastante revelador e extremamente significativo. Pois o que Marks sugere nestas observações posteriores é que um ateu consistente deveria ser não só um amoralista que nega as normas morais objetivas, mas também um não-racionalista (i.e., alguém que nega a existência de normas racionais objetivas).

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Razões para rejeitar o inclusivismo (Parte 1)

Os defensores da visão conhecida como inclusivismo argumentam que, embora ninguém seja salvo fora da obra redentora de Jesus, não é necessário ter conhecimento sobre o evangelho ou crer em Jesus para a salvação. O inclusivismo elimina o problema de que aqueles que não ouviram o evangelho não serão salvos, mas isso de maneira alguma significa que o inclusivismo é verdadeiro ou bíblico. Paulo, de fato, ensinou em Romanos 1-3 que apesar do conhecimento geral sobre um Criador estar disponível a todos através da luz da criação, esse conhecimento não traz salvação. Apenas a revelação especial sobre Deus, sobre o pecado, sobre Jesus e a salvação dada aos profetas e apóstolos e que està registrada na Bíblia fornece as informações necessárias para a salvação. Os inclusivistas afirmam que o conteúdo da fé não é crucial e que os não-evangelizados podem até ser salvos praticando suas religiões não-cristãs. No entanto, Paulo fala em Romanos 10:9-10 que um conhecimento de informação verdadeira faz parte da fé salvadora. Paulo também fala claramente que nem ele nem as pessoas incrédulas a quem ele pregou foram salvos antes de acreditar em Jesus Cristo.

Os inclusivistas argumentam que, se Deus salva os bebês e os que tem problemas mentais, que morrem sem nunca ter tido fé em Jesus, então Ele pode salvar aqueles que não foram evangelizados. Este ponto de vista, no entanto, ignora o fato de que os não-evangelizados são responsáveis por seus pecados, enquanto que os bebês e os deficientes mentais não são. Os inclusivistas também tentam apontar para os crentes do Antigo Testamento como exemplo de pessoas salvas que não tinham conhecimento sobre Jesus, mas só porque eles não tinham esse conhecimento explícito não significa que eles não tinham nenhuma outra revelação especial (como os não-evangelizados).

A visão inclusivista de que aqueles que nunca ouviram o evangelho serão salvos tem um impacto negativo sobre as missões cristãs. À luz destes e de outros problemas, o inclusivismo não deve ser considerado uma opção viável aos cristãos.

A grande maioria dos cristãos evangélicos sustentam a opinião de que a crença em Jesus é necessária para a salvação. Esse ponto de vista, conhecido como exclusivismo, pode ser resumido em quatro proposições: (1) Jesus é o único Salvador; (2) a fim de serem salvos, os seres humanos devem saber que eles são pecadores que precisam de salvação e perdão; (3) a fim de serem salvos, os seres humanos também precisam saber quem é Jesus e que Sua morte e ressurreição fornecem a base para essa salvação; e (4) os seres humanos devem colocar sua fé e confiança em Jesus como o único Salvador. Os dois textos seguintes tipificam as muitas passagens bíblicas que indicam que o conhecimento sobre (e a fé em) Jesus são essenciais para a salvação: (1) “A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação” (Romanos 10:9,10); (2) “Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus“(João 3:17,18). Não há outro Salvador além de Jesus, e nenhuma outra religião além do cristianismo bíblico que possa levar os seres humanos até a graça salvadora de Deus.

[…] Se o inclusivismo é verdade, ele elimina um problema que preocupa muitos cristãos: E aquelas pessoas que morrem sem nunca terem ouvido o evangelho? Pense na responsabilidade que é tirada das nossas costas quando adotamos essa visão. Pense no quão mais fácil podemos dormir à noite. No entanto, como cristãos pensantes, reconhecemos que só porque o inclusivismo torna a vida mais fácil ou elimina um problema intrigante, isso não significa que ele seja verdade. Sabemos, sim, que (1) um sistema de crença verdadeiro deve concordar com as Escrituras e (2) que ele deve ser coerente e logicamente consistente. Será que o inclusivismo passa nesses dois testes? Vamos começar a nossa investigação, olhando para o que o inclusivismo tem a dizer sobre o conhecimento.

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Quão bíblico é o Molinismo? (Parte 3)

[Esse será o terceiro post de uma série de n partes, onde n>1 e provavelmente n<10]

Nesta série involuntariamente e lamentavelmente esporádica, eu estive considerando a pergunta: O quanto será que a Bíblia apoia o Molinismo? No primeiro post eu argumentei que a Bíblia afirma (1) a providência divina abrangente e (2) o conhecimento de Deus acerca dos contrafactuais de liberdade da criatura (isto é, o conhecimento acerca do que qualquer agente criado irá livremente fazer se colocado em determinadas circunstâncias), mas o Molinismo não possui nenhuma vantagem sobre o Agostinianismo no que diz respeito a (1) e (2). Eu concluí com a seguinte afirmação:

Se queremos mostrar que o Molinismo possui melhor suporte bíblico que o Agostinianismo (ou vice-versa), então precisamos encontrar alguma proposição que é afirmada pelo Molinismo e negada pelo Agostinianismo (ou vice-versa) de forma que p goza de apoio bíblico positivo (isto é, existem textos bíblicos que, segundo a interpretação mais natural e defensável, e sem implorar questões filosóficas, asseguram ou implicam p)“.

No segundo post eu examinei um candidato para a proposição p: a proposição de que a liberdade moral é incompatível com o determinismo (uma coisa que os molinistas invariavelmente afirmam, mas que os agostinianos normalmente negam). Cheguei à conclusão de que a Bíblia não oferece suporte para o incompatibilismo. Neste post eu vou considerar um segundo candidato a proposição p: a proposição de que Deus deseja que todos sejam salvos.

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Dispensacionalismo – Um retorno às sombras

O problema com a interpretação dispensacionalista do milênio tem a ver com a forma como se deve entender o fluxo geral da história da redenção. Ao longo do Antigo Testamento, cada profeta de Israel descreveu a vinda da era messiânica em termos de sua própria época e lugar. O que é especialmente relevante nessa questão é o fato de que os profetas falavam da gloriosa era messiânica que estava por vir em termos dos tipos e sombras associados à antecipação messiânica veterotestamentária.
Mas os tipos e sombras do Antigo Testamento são posteriormente reinterpretados sob a maior luz resultante da encarnação de Cristo no Novo Testamento. É por isso que um dos principais aspectos da escatologia da era do NT é que o que foi prometido no AT havia sido cumprido em Jesus Cristo. O padrão redentivo-histórico move-se claramente na direção tipo-sombra para cumprimento/realidade. Sendo esse o caso, os autores do Novo Testamento antecipam a consumação final das promessas na volta de nosso Senhor e não num retorno a um governo terreno entendido em termos de tipos do Antigo Testamento e sombras que estavam destinadas a passar de uma vez por todas.

Por exemplo, quando os profetas falam da restauração de Israel, o Novo Testamento afirma que esta promessa de restauração se realiza em Jesus Cristo, o verdadeiro Israel (para uma discussão mais detalhada clique aqui: Jesus Christ, the true Israel). Quando os profetas falam da terra de Canaã, a cidade de Jerusalém e o monte do Senhor, os autores do Novo Testamento, por sua vez, apontam que estes temas são cumpridos em Cristo e sua igreja. Em muitos casos, eles fazem isso como uma polêmica contra os judeus que não aceitaram Jesus como o Messias de Israel, enviado por Deus para redimir o Seu povo dos seus pecados. A interpretação literal das passagens messiânicas do Antigo Testamento é fornecida pelo Novo Testamento. Portanto, a expectativa profética do AT não deve ser a base para uma compreensão escatológica do NT.

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Devemos ler apenas a tradução ACF? – Parte 2

No post anterior vimos como os crentes de Cártago defendiam, por pura tradição, a Septuaginta. No texto de hoje iremos notar que a controvérsia se repetiu aproximadamente 1100 anos depois quando a tradução de Jerônimo, mais conhecida como Vulgata, se tornou o padrão na Europa.

No começo do século XVI, a Vulgata era a Bíblia de “todos” e havia tomado a mesma posição que a Septuaginta possuía na mente dos cristãos um milênio atrás. Da mesma maneira que Jerônimo se meteu em problemas com sua “nova” tradução, um grande acadêmico veio novamente a causar tumulto. Esse homem era Desidério Erasmo.


Erasmo de Roterdã, escritos holandês.

Erasmo é conhecido hoje como o “Príncipe dos Humanistas”. No entanto, devemos ter cuidado com o termo “humanista” aqui. Erasmo não era de maneira alguma um secularista moderno que tem repulsa pela ideia de existir um Deus. Ele era uma pessoa que achava que Deus havia dado certas habilidades mentais ao homen e que esse, por sua vez, deveria cultivá-las para a glória de Deus. O lema dos humanistas do século XV e XVI era o “ad fontes!“, isto é, “direto às fontes!”. Esses homens não queriam ouvir a opinião dos homens da maneira em que elas foram transmitidas através dos séculos. Eles queriam ir direto às fontes, diretamente aos documentos antigos para que pudessem aprender por eles mesmos.

Essa nova curiosidade renovou a ênfase dada aos textos originais da Bíblia. Apesar de a Vulgata latina ter tido um papel muito imporante durante séculos, nesse instante os homens estavam tentando examinar a base sobre a qual a Vulgata havia sido traduzida. Durante o século XV um humanista italiano chamado Lorenzo Valla começou a estudar as obras de Jerônimo. Ele descobriu que o texto presente nas Bíblias que circulavam na Europa naquela época diferia em vários lugares do texto que ele encontrou nos comentários bíblicos feitos por Jerônimo. Ele argumentava que uma vez que os comentários de Jerônimo eram pouco lidos e, portanto, pouco copiados, seria menos provável que eles tivessem sofrido mudanças quando copiados a mão. Como resultado, ele produziu uma versão corrigida da obra de Jerônimo, uma versão que, de fato, era muito mais próxima aos originais de Jerônimo que o texto usado pela Igreja Romana em sua época.

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Devemos ler apenas a tradução ACF? – Parte 1

A humanidade parece ter um desejo intenso de mudança. Nós sempre estamos dispostos a experimentar coisas “diferentes”. A maioria de nós acredita que possamos melhorar nossa vida e nosso meio e a chave para isso sempre é: mudança.

No entanto, mudar pelo simples desejo de mudar não é uma virtude cristã. Esse tipo de atitude pode ser um  mandamento das revistas e novelas mas com certeza não é um mandamento das Escrituras. Estar contente com os dons e as provisões de Deus é certamente uma característica rara dos cristãos de hoje.

Em questões religiosas, dois extremos estão sempre presentes: aqueles que procuram novidades na experiência religiosa e aqueles que resistem a todo tipo de mudança. No entanto, os crentes devem andar no caminho estreito entre essas duas posições. Nunca devemos procurar “novas verdades” que nos levem além daquilo que Deus já nos revelou em Jesus Cristo. Uma atitude desse tipo revelaria um profundo equívoco ao interpretar as riquezas que já são nossas em Jesus. Ao mesmo tempo, não devemos chegar ao ponto onde estamos tão apegados as nossas tradições (ao nosso “jeito de fazer as coisas“) que nos tornamos indispostos em melhorar o nosso serviço para com Cristo. O equilíbrio é a chave.

Quando chegamos na questão de traduções da Bíblia, novamente encontramos os dois extremos. De um lado temos aqueles que procuram fazer traduções distintas para cada grupo e subgrupo que existe em nosso país. Será que realmente precisamos de traduções diferentes para homens, mulheres, idosos, surfistas, etc? Acredito eu que não. No entanto, do outro lado encontramos aqueles que dizem defender a “antiga verdade” das Escrituras, se prendendo a uma tradução feita no século XVII e soltando frases de efeito do tipo “Se era bom para o Apóstolo Paulo, é bom para mim!“. Se esses indivíduos tirassem tempo para estudar a história da Igreja, ficariam surpresos em encontrar esses mesmos argumentos em campos estrangeiros. Pois, veja bem, essa não é a primeira vez que as pessoas argumentam que um texto em particular (uma determinada tradução) deve ser usado exclusivamente por aqueles que desejam ser fiéis a Deus. E da mesma forma que as pessoas no passado estavam em erro ao lançar estes argumentos, os defensores do “ACF somente” também estão.

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O que os cristãos querem? Um estado laico, teocrático ou secular?

Comentários prévios do tradutor:

Recentemente me deparei com a seguinte postagem de uma dessas páginas “da zueira” (e que, para minha tristeza, era de caráter calvinista):
heresia
Eu sempre desconfiei que esse tipo de página só servia para criar espantalhos das posições contrárias. Agora vejo que elas ganharam um novo propósito: desenvolver uma geração de jovens que tem memes de Facebook por fundamentos teológicos (p que eu chamaria de Teologia de Meme). Mas o que mais me espantou foi o número de curtidas positivas desse post. Tendo em vista esse interesse repentino pela Teonomia nas redes sociais, achei que seria necessário postar um artigo falando sobre o tipo de governo que os cristãos devem aspirar. Segue aqui um ensaio de John Hendryx:


Apesar de toda a histeria midiática, a grande maioria dos cristãos não têm interesse em estabelecer um estado teocrático assim como não têm interesse em estabelecer um estado puramente secularista. Ambas as opções são igualmente repugnantes para nós. Aqui está o porquê. Os mulás secularistas são tão perigosos quanto os cristãos. Colocar poder demais nas mãos de qualquer pessoa (e isso inclui membros de denominações cristãs) é perigoso pois o homem é corruptível. É por isso que a ideia de um governo limitado com equilíbrio de poder é totalmente racional pois abrange as limitações pecaminosas dos seres humanos, sejam eles secularistas, cristãos, muçulmanos ou budistas.

Apesar de os cristãos terem conhecimento da única verdade, eles também sabem muito bem que são pecadores e, portanto, que não podem viver sem leis restritivas ou sem equilíbrio de poder. Logo, quando os cristãos falam da separação entre Igreja e Estado, eles colocam todas as cosmovisões debaixo desse guarda-chuva, incluindo também o secularismo. Porém, uma coisa que muitos secularistas não conseguem enxergar é que nem eles nem as suas ideias são religiosamente neutros. Ainda assim, eles parecem ter se convencido de que são…. mesmo que (ironicamente) eles queiram impor vigorosamente o seu próprio código moral na sociedade (sendo que este, de fato, apresenta tanto afirmações quanto negações sobre a natureza do bem e do mal). Mesmo diante dessa verdade óbvia, os secularistas surpreendentemente ainda querem isentar-se da cláusula de separação entre Igreja e Estado. É incrível, para mim, que eles não consigam ver o quão excludente isso é e como isso deixa o poder nas mãos dos secularistas apenas. Eles pensam: “os outros estão proibidos de falar na praça pública porque eles são religiosos, mas nós podemos porque nós não somos religiosos“. Mas se, por outro lado, entendemos a cláusula de uma maneira mais ampla sob a qual todos os pontos de vista estão incluídos na separação entre Igreja e Estado (isto é, nenhuma religião pode ser favorecida pelo governo, incluindo o secularismo), então todas as religiões e cosmovisões podem falar livremente na praça pública e competir no livre mercado de idéias … Isso está bem mais perto de liberdade. Lembre-se, nós vivemos em um país laico, não em um país secular.

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