Donald Trump e o Juízo de Deus sobre uma nação

trump

Todos nós somos familiares com a seguinte frase de João Calvino:

“Quando Deus deseja julgar uma nação, Ele lhes dá governantes ímpios.”

Os que acompanham o programa Dividing Line sabem muito bem que o Pr. James White vem repetindo essa frase desde que a nação estadounidense deu preferência a Hillary e Trump na pré-candidatura. De um lado eles tinham uma mulher corrupta com uma agenda secularista e do outro alguém de comportamento réprobo que fingia ser um cristão e que nunca se posicionou sobre assuntos importantes (como o aborto) nos debates presidenciais. Nesse breve comentário, o Pr. James White responde a uma pergunta ingênua feita por um cristão que tomou Donald Trump como um messias político dos EUA (e talvez até como um avivador espiritual).
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Ateísmo, Amoralismo e Não-racionalismo

Ateísmo e Amoralismo

Em Abril de 2010, o eticista Joel Marks sentou-se em frente ao seu computador e escreveu uma confissão para os leitores da coluna “Moral Moments” na revista Philosophy Now. Sua confissão dizia que ele tinha feito algo imoral. Sua confissão era que ele não poderia ter feito qualquer coisa imoral, em qualquer momento de sua vida, pois não exista coisa como a moralidade. Ou, ao menos, isso foi o que ele concluiu. O autor de “Moral Moments” saiu do armário como uma “amoralista ‘. Como ele mesmo coloca na primeira parte do seu “Manifesto Amoral”:

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Doze perguntas que um cristão deve fazer antes de assistir “Game of Thrones”

Pastor John, você acredita que haja alguma diferença entre nudez de filmes e a nudez em pornografia? Eu conheço vários cristãos que são contra pornografia, mas eles não tem problema algum em assistir filmes ou programas de TV que apresentem nudez gráfica.” Uma jovem mulher chamada Emily recentemente enviou essa pergunta ao “Ask Pastor John”.

Um dia depois, Adam enviou a seguinte pergunta: “Pastor John, o que o senhor diria a um cristão que assiste o programa Game of Thrones“? É um programa de TV com classificação adulta, e se tornou infame por causa da nudez e de cenas de sexo explícito, também por cenas de estupro e violência sexual contra as mulheres. Game of Thrones é agora a série mais popular na história da HBO, com uma audiência média de mais de 18 milhões de telespectadores.

A seguir está uma transcrição ligeiramente editada da resposta de John Piper nesse episódio de “Ask Pastor John”.

Quanto mais perto fico de morrer, de encontrar Jesus pessoalmente (face a face) e de prestar contas da minha vida e das palavras mal-pensadas que eu falei (Mateus 12:36), mais certeza eu tenho da minha decisão de nunca olhar intencionalmente para um programa de TV, um filme, website ou revistas onde eu saiba que irei ver fotos ou filmes de nudez. Nunca. Essa é minha decisão. E quanto mais perto fico da morte, melhor me sinto quanto a isso, e mais dedicado eu me torno.
Francamente, eu quero convidar todos os cristãos a se juntarem a mim nesta busca de uma maior pureza de coração e mente. Em nossos dias, quando o entretenimento da mídia tornou-se praticamente a língua comum do mundo, isto soa como um convite para ser um alienígena. E eu acredito com todo meu coração que o que o mundo precisa é de alienígenas radicalmente destacados, com sacrifício amoroso, apaixonados por Deus. Em outras palavras, estou convidando você para dizer não ao mundo para o bem do próprio mundo.

O mundo não precisa de mais gente legal e “culturalmente esclarecida”, ou seja, de cópias irrelevantes de si mesmo. Isso é um erro que tem enganado milhares de jovens cristãos. Eles pensam que têm de ser descolados, legais, esclarecidos, culturalmente conscientes, observando tudo para não serem bizarros. E isso é o que está desfazendo-os moralmente e desfazendo os seus testemunhos.

Então aqui estão 12 perguntas para se pensar, ou 12 razões porque estou comprometido a uma abstenção de tudo que eu sei que irá me apresentar nudez.

1 – Será que estou recrucificando a Cristo?

Cristo morreu para purificar seu povo. É uma falsificação absoluta da Cruz tratá-la como se Jesus morresse somente para nos perdoar do pecado de assistir a nudez, e não para nos purificar e dar-nos o poder de não vê-la.
Ele tem poder (comprado pelo sangue de Sua cruz). Ele morreu para nos fazer puros. Ele “entregou a si mesmo, por nós, para nos remir de toda iniqüidade e purificar para si um povo para sua própria posse” (Tito 2:14). Se escolhemos endossar, abraçar, desfrutar ou buscar a impureza, é como se tomássemos uma lança e  perfurássemos o lado de Jesus cada vez que fizéssemos isso. Ele sofreu para nos libertar da impureza.

2 – Será que isso expressa ou favorece a minha santidade?

Na Bíblia, do início ao fim, há um chamado radical à santidade – a santidade da mente, do coração e da vida. “Como aquele que vos chamou é santo, vós também sejam santos em todo o vosso procedimento” (1 Pedro 1:15). Ou 2 Coríntios 7: 1, “Uma vez que temos essas promessas, amados, purifiquemo-nos de toda contaminação de corpo e espírito, trazendo santidade para o acabamento no temor de Deus” A nudez em filmes e fotografias não é santa e não faz avançar a nossa santidade. É profana e impura.

3 – Quando irei lançar fora meu olho, se não agora?

Jesus disse que todo aquele que olha para uma mulher com intenção concupiscente já cometeu adultério com ela em seu coração. Se seu olho direito te leva a pecar, arranque-o e jogue-o fora (Mateus 5:28-29). Ver mulheres nuas – ou homens nus – leva um homem ou uma mulher a pecar com suas mentes e seus desejos, e frequentemente com seus corpos. Se Jesus nos ordenou guardar nossos corações, ao arrancar nossos olhos para prevenir a concupiscência, seria certo que Ele também diria: “Não assista a isso!”.

4 – Não é satisfatório pensar naquilo que é honroso?

A vida em Cristo não é apenas evitar o mal, mas principalmente buscar de forma ardente o bem. Lembre-se de Filipenses 4:18, “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.

Minha vida não é uma vida forçada. É livre. “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor.” (Gálatas 5:13)

5 – Estou buscando ver a Deus?

Eu quero ver e conhecer a Deus, tanto quanto possível nesta vida e na ressurreição. Assistir a nudez é um enorme obstáculo nessa busca. “Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus” (Mateus 5: 8). A contaminação da mente e do coração, observando nudez entorpece a capacidade do coração de ver e desfrutar a Deus. Eu desafio qualquer um a ver nudez e logo após ir diretamente a Deus, orando, dando-lhe graças por causa do que  acabou de experimentar.

6 – Será que eu me importo com as almas daqueles que aparecem nus?

Deus chama às mulheres a se vestirem de uma maneira respeitável, com modéstia e auto-controle (1 Timóteo 2:9). Quando buscamos, recebemos ou embraçamos a nudez em nosso entretenimento, estamos implicitamente endossando o pecado das mulheres que se vendem dessa maneira e, portanto, sendo negligentes quanto a suas almas. Elas desobedecem 1 Timóteo 2:9, e nós dizemos que está tudo bem.

7 – Eu ficaria feliz se fosse uma filha minha interpretando o papel?

A maioria dos cristãos são hipócritas ao assistirem nudez, porque, pelo fato de assistirem, por um lado eles dizem que isso é bom, e, por outro lado, lá no fundo eles sabem que eles não iriam querer que sua filha, esposa ou namorada estivessem interpretando esse papel. Isso é hipocrisia.

8 – Será que eu estou dizendo que a nudez pode ser fingida?

A nudez não é como o assassinato e a violência na tela. A violência na televisão é de faz-de-conta; ninguém realmente morre. Mas a nudez não é faz-de-conta. Essas atrizes estão realmente nuas na frente da câmera, fazendo exatamente o que o diretor pede para elas fazerem com as pernas, as mãos e os seios. E elas estão nuas para que milhões de pessoas possam ver.

9 – Será que eu estou comprometendo a beleza do sexo?

Sexo é uma coisa bonita. Deus o criou e o declarou como “bom” (1 Timóteo 4: 3). Mas não é um esporte para um espectador assistir. É uma alegria santa que é sagrada em seu lugar devido, de um amor terno e seguro. Homens e mulheres que querem ser assistidos na sua nudez estão na categoria de exibicionistas que puxam suas calças para baixo em lugares públicos.

10 – Será que eu estou dizendo que a nudez é necessária para que haja Boa Arte?

Não há um grande filme ou uma grande série de televisão que realmente precise de nudez para adicionar à sua grandeza. Não. Não existe. Existem formas criativas para ser fiel à realidade sem transformar o sexo em um esporte de espectador e sem colocar atores e atrizes em situações moralmente comprometedoras no set.

Não é a integridade artística que está dirigindo a nudez na tela. Debaixo de toda a superfície, o apetite sexual masculino é o verdadeiro motor deste negócio, e, como consequência, a pressão da indústria e do desejo de classificações que as vendem. Não é a arte que coloca a nudez no filme, é o apelo à lascívia. Este sim vende.

11 – Será que eu estou implorando por aceitação?

Os cristãos não vêem nudez principalmente por ter como propósito maximizar a santidade. Mas isso, aparentemente, não impede que eles voltem a assisti-los. No fundo eles sabem que estes filmes e programas de televisão estão cheios de elogios e exaltações a atitudes que estão totalmente fora de sintonia com a morte do “eu” e com a exaltação de Cristo.

Não, o que faz os cristãos voltarem a ver esses programas é o medo de que, se levarem Cristo a sério em Sua palavra e considerarem a santidade um assunto tão sério como estou dizendo que é, eles teriam que parar de ver tantos programas de televisão e tantos filmes, que eles seriam vistos como bizarros. E, hoje em dia, esse é o pior de todos os males. Ser visto como bizarro é um mal muito maior do que ser profano.

12 – Será que eu sou livre da dúvida?

Há uma orientação bíblica que torna a vida muito simples: “Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado.“(Romanos 14:32). Minha paráfrase: Se você tem dúvidas, não faça. Se isso fosse seguido, os hábitos de visão de milhões de pessoas seriam alterados, e, oh, quão tranquilamente eles iriam dormir com as suas consciências.

Então eu digo novamente:
Junte-se a mim na busca do tipo de pureza que vê a Deus, e conhece a plenitude da alegria em sua presença e do prazer eterno à sua mão direita.

Resposta dada pelo Pastor John Piper
Traduzido por Erving Ximendes

Uma nova tática do movimento pró-escolha

A mais nova tática usada pelos defensores do aborto é misturar os sentidos da palavra “vida” – usando ela para se referir tanto a “situação de vida” da mãe quando a “vida” da criança que não nasceu – com o único propósito de fazer com que o questionamento moral feito pelos seus opositores possa ser colocado de lado.

Alguns podem até dizer que “De certo modo, a escolha de abortar minha criança salvou a minha vida”. Bom, na verdade não. Não salvou a vida de ninguém. Essa pessoas está apenas se iludindo e achando que tal ato deu uma situação de vida melhor. Aqui, a mesma palavra “vida” está sendo usada para nos dar a impressão de que o que existia era uma decisão da vida dele versus a vida da criança – e que, portanto, as afirmações morais de ambos os seres humanos são igualmente fortes.

Mary Elizabeth Williams em seu artigo “E daí se o aborto acaba com uma vida?” diz explicitamente:

“De todas as jogadas diabólicas da torcida anti-escolha que já foram feitas, com certeza uma das maiores foi escolher a palavra “vida” para designá-los…
[O aborto] salva vidas não só no sentido literal e médico, mas de tal forma que as mulheres que tiveram a escolha, puderam escolher as melhores ocasiões para elas e suas famílias. E eu colocaria a vida de uma mãe acima da vida de um feto em qualquer ocasião – mesmo reconhecendo que o feto é de fato uma vida. É um sacrifício que vale.”  

Ela diz que colocaria “a vida da mãe acima da vida do feto”, mas ela não quer dizer que tanto a vida da mãe quanto a vida do feto, em seu sentido literal, estão em jogo. O que ela faz é simplesmente usar a mesma palavra “vida” para comparar a vida, em seu sentido literal, com “qualidade” de vida, na tentativa de empatar as afirmações morais na mente do leitor. O que na verdade ela quer dizer é que ela coloca a opção da mãe poupar dinheiro, ou prevenir dificuldades, ou simplesmente viver a vida que ela prefere, acima da vida literal de outro ser humano.

O que isso demonstra é que tivemos um bom progresso em convencer as pessoas de que as crianças não-nascidas são de fato seres humanos, e que a plateia pró-escolha está começando a perceber que nossa intuição moral nos motiva a defender aqueles que ainda não nasceram. Sabemos que as afirmações morais envolvendo “vida” e “situação de vida que eu quero” não são iguais, mas se os pró-escolha usam a mesma palavra para ambos, talvez eles consigam re-moldar nossa intuição.

Pode esperar para ver esse truque ser usado mais frequentemente, e desafie-o quando ouvi-lo. Pergunte a pessoa explicitamente o que ela quer dizer por “vida” no caso da criança e no caso da mãe, então examine se essas definições são moralmente equivalentes.

Livros perdidos da Bíblia?

Ao passar por seções religiosas de uma livraria, é provável que você encontre um punhado de títulos que sugerem a descoberta de “Livros Perdidos” da Bíblia. Geralmente, estes representam obras que eram “politicamente incorretas”, segundo às noções teológicas da época. Rejeitadas com espúrio pelos líderes da igreja primitiva, eram desacreditadas e destruídas. Felizmente, um punhado de cópias sobreviveram. Os arqueólogos resgataram os tão chamados “livros perdidos” da Bíblia. O Evangelho de Tomé, descoberto na biblioteca de Nag Hammadi no Egito, em 1945, seria um exemplo dessas obras.

Invariavelmente, isso causa um choque no cristão consciente. Será que a arqueologia descobriu antigos textos bíblicos que desafiam o atual cânone das Escrituras? É possível que a Bíblia que os cristãos têm hoje seja incompleta?

Pode ser difícil de acreditar, mas esta questão pode ser respondida sem ler qualquer um dos livros em questão. Nenhuma pesquisa precisa ser feita. Curiosamente, toda a questão pode ser respondida por uma olhar cuidadoso para uma palavra: Bíblia.

A Santa Bíblia

Toda a questão dos supostos livros perdidos da Bíblia caem na questão de o que se quer dizer com a palavra “Bíblia”. Só pode significar uma de duas coisas, ao meu ver. Há uma definição religiosa da palavra, e há ainda uma definição mais secular.
Quando alguém pergunta a um cristão evangélico o que é a Bíblia, é provável que ele responda: “É a Palavra de Deus.” Quando pressionado por uma definição mais teologicamente precisa, ele poderia acrescentar que Deus supervisionou a redação das Escrituras de modo que os autores humanos, usando seu próprio estilo, personalidades e recursos, escreveram, palavra por palavra, exatamente o que Deus
destinava-os a escrever. Esta inspiração plenária verbal é uma parte vital da definição cristã da palavra “Bíblia”.
O conceito-chave para a nossa discussão é a frase “exatamente o que Deus pretendia que eles escrevessem.” Um elemento fundamental desta compreensão da “Bíblia” é a ideia de que Deus não estava limitado pelo fato de que autores humanos foram envolvidos no processo.

Erros humanos

Uma objeção comum à noção de inspiração é que a Bíblia foi escrita por homens, e homens cometem erros. Esta indagação peca por duas razões.
Em primeiro lugar, não é porque os humanos foram envolvidos no processo de escrita, que a Bíblia deve estar necessariamente errada. Erros podem acontecer, mas eles não são necessários. Assumir a presença de erro em toda a escrita humana é uma ideia auto-destrutiva. A própria declaração “A Bíblia foi escrita por homens, e os homens cometem erros”, seria suspeita pelos mesmos padrões. O fato é que os seres humanos podem escrever e produzir textos sem erros. Isso acontece o tempo todo.

Além disso, o indagação de que os homens cometem erros ignora a questão principal : se a Bíblia foi ou não escrita apenas por homens. O cristão até aceita que os seres humanos são limitados, mas nega que as limitações do homem são importantes nesse caso, porque a inspiração implica que o poder de Deus fornece o que é necessário ao homem.

Uma pergunta simples que seve como ilustração: “Você está dizendo que se Deus existe, Ele não é capaz de escrever o que Ele quer através de homens imperfeitos?” A noção de um Deus onipotente não ser capaz de realizar uma tarefa tão simples é ridícula! Se, por outro lado, a resposta é “Não, eu acho sim que Ele é capaz”, então a objeção desaparece. Se Deus é capaz, então as limitações do homem não são um limite para Deus. Se Deus garante os resultados, não importa se os homens ou os macacos fazem a escrita, eles ainda vão escrever exatamente o que Deus quer. Isso é parte do que significa dizer que a Bíblia é divinamente inspirada. Nosso propósito aqui não é defender a noção de inspiração divina, mas entender que a autoria de Deus e preservação sobrenatural estão necessariamente ligadas à primeira definição da palavra “Bíblia.” A Bíblia é um conjunto de 66 livros contidos que são sobrenaturalmente inspirados por Deus, e são preservados e protegidos pelo Seu poder. Tendo isso em mente, as limitações do homem são irrelevantes.

A Bíblia Secular

A segunda definição da palavra “Bíblia” não é religiosa e, portanto, não admite qualquer origem sobrenatural das Escrituras. Esse ponto de vista diz que enquanto os cristãos tratarem as Escrituras como divinamente inspiradas, eles estarão enganados. A Bíblia é meramente um consenso humano, uma coleção de livros escolhida pela igreja primitiva para refletir suas próprias crenças.

Um livro seria rejeitado basicamente por duas razões. Os primeiros cristãos não eram capazes de rastrear a autoria de um apóstolo ou o registro das testemunhas, e a teologia se distinguia daquela que tinha sido transmitida pelos apóstolos. O cristianismo não é diferente de outras religiões que têm coleções de escritos canônicos.A Bíblia, então, está nessa categoria – apenas uma coleção de livros escolhidos pelos líderes da igreja primitiva para representar suas próprias crenças.

Portanto, temos dois possíveis significados para a palavra “Bíblia”, um sobrenatural e um natural. Ou a Bíblia é  divinamente preservada, pelo ponto de vista do cristão conservador, ou é apenas um documento humano que representam as crenças de um grupo religioso conhecido por “cristianismo”, o ponto de vista de quase todos as outras pessoas. Dada qualquer uma destas duas definições, podem haver livros perdidos da Bíblia?

Não há livros perdidos

Comecemos com o primeiro significado, da definição sobrenatural da Bíblia. É possível que os livros pudessem se perder? A resposta é claramente não. Lembre-se, nesta visão Deus é sobrenatural para preservar e proteger a integridade de Sua obra. A hipótese dos “livros perdidos” seria reduzida a afirmação de que “Certos livros que Deus Todo-Poderoso era responsável para preservar e proteger se perderam.”

Poderiam haver livros perdidos, dada a segunda definição? E se os cristãos estão errados em atribuir a administração de Deus para as Escrituras? E se a Bíblia na verdade é meramente um produto humano? Se for esse o caso, então, o termo “Bíblia” não se refere à Palavra de Deus (a primeira definição), mas para o cânone das crenças dos líderes da igreja primitiva (a segunda definição). É possível que os livros se perdessem nesse tipo de Bíblia?

A resposta é novamente não! Se a Bíblia é uma coleção de livros que os primeiros líderes da igreja decidiram que representaria o seu ponto de vista, então eles têm a palavra final sobre o que está incluído. Todos os livros que eles rejeitaram nunca fizeram parte de sua Bíblia, para começar! Por isso mesmo pela segunda definição, os “livros perdidos” da Bíblia seriam um equívoco.

Considere a seguinte situação. Você decide escrever um livro sobre suas crenças pessoais a partir de várias de notas contendo reflexões que você coletou ao longo dos anos. Depois de registrar o que você concorda, você descarta o resto. Mais tarde, alguém vasculha o seu lixo e acha as suas notas descartadas. Essa pessoa poderia alegar que achou suas crenças perdidas?

“Não”, você responde. “Se essas notas fossem minhas crenças elas estariam no livro, não no lixo”.

É irônico que os defensores dos “livros perdidos” muitas vezes apontam que os textos redescobertos estavam sumidos porque os Padres da Igreja os suprimiram. É verdade, eles suprimiram. Os críticos acham que isso fortalece a sua opinião, mas não é essa a questão. Esse fato na verdade destrói o ponto de vista deles, provando que os “livros perdidos” não se perderam, mas foram descartados, rejeitados por não serem representativos das reais crenças cristãs. Portanto, eles não pertencem à Bíblia cristã. Se eles nunca estiveram na Bíblia eles não podem ser livros perdidos da mesma!

Independentemente de como você vê as Escrituras, como sobrenatural ou natural, não faz sentido nenhum dizer que há livros perdidos da Bíblia. Se a Bíblia é sobrenatural, se Deus é responsável pela sua escrita, sua transmissão, e sua preservação, então Deus, sendo Deus, não falha. Ele não erra, Ele não esquece as coisas, e Ele não está limitado por limitações humanas.

No entanto, se a Bíblia não é sobrenatural, como muitos irão dizer, especialmente aqueles que afirmam terem encontrado livros perdios, eles enfrentam um problema diferente. Por qual padrão que afirmamos que estes são livros perdidos do cânone da igreja primitiva? Se, a partir de uma perspectiva humana, a Bíblia é uma coleção de escritos que refletem as crenças do cristianismo primitivo, qualquer escrito rejeitado pelos pais da igreja não são livros de sua Bíblia pela própria definição!

A arqueologia tem descoberto textos antigos desconhecidos? Certamente. Eles são interessantes, notáveis e valiosos? Alguns. São livros perdidos da Bíblia? A resposta é não. Dois mil anos depois, a redescoberta de um escrito como o Evangelho de Tomé pode ser arqueologicamente significativa. Pode ser um livro perdido da antiguidade, um grande achado, até mesmo um pedaço maravilhoso da literatura.

Mas não é um livro perdido da Bíblia.