Podemos confiar na Bíblia mais do que na ciência evolucionária?

sem-titulo-1

Nota do tradutor:
O ensaio elaborado pelo Dr. James N. Anderson, apesar de não conter detalhes técnicos e científicos sobre a discussão Evolucionismo vs. Criacionismo, servirá de grande ajuda aos cristãos que se deparam com argumentos ateístas e secularistas. O mecanismo por trás do processo de seleção de teorias científicas é analisado e comentado de tal maneira que dá ao cristão comum ferramentas suficientes para fornecer uma defesa filosófica racional de sua posição no debate em questão. Como um cientista em formação, esse ensaio me ajudou a perceber e relembrar várias coisas que fazemos ao obter evidências empíricas e, creio eu, que será de grande proveito para todas as classes de cristãos.
Erving Ximendes

Não é segredo algum que uma das principais razões dadas pelos descrentes para não crer na Bíblia é que a ciência moderna (especificamente, a ciência evolucionária) mostrou que o relato da Bíblia concernente à origem do homem está incorreto. De fato, a ciência evolucionária não é meramente um obstáculo para descrentes; ela também pode ser uma pedra de tropeço para cristãos professos. Existem muitos crentes tentando desesperadamente reconciliar uma alta consideração pela Bíblia com as alegações científicas mais comuns acerca de nossas origens evolucionárias, e aqueles que não conseguem fazer isso acabam por invariavelmente diminuir a doutrina das Escrituras. Em alguns casos esse é apenas o primeiro passo a um abandono quase completo da ortodoxia cristã. Tanto para crentes quanto para descrentes, as alegações da ciência evolucionária apresentam um desafio sério à confiabilidade da Bíblia.

Podemos confiar na Bíblia mais do que na ciência evolucionária? Duvido que seja necessário eu escrever um “alerta de spoiler” antes de revelar que minha resposta à pergunta será um enfático “sim”. Ainda assim, muito precisa ser discutido antes de chegar à essa conclusão afirmativa. Por que podemos confiar na Bíblia mais do que na ciência evolucionária? Com base em quê podemos responder a essa pergunta com um “sim” de confiança? Esse será o foco primário deste artigo. Durante isso, no entanto, eu quero dizer algumas coisas importantes sobre como devemos tratar essa questão (e questões similares sobre a confiabilidade da Bíblia) para que os leitores possam ser melhor equipados para lidar com esse é outros desafios às Escrituras.[1]

Continuar lendo “Podemos confiar na Bíblia mais do que na ciência evolucionária?”

Anúncios

Pequenos detalhes que todo cristão deveria saber – Parte 1

Essa série de posts terá o propósito de apresentar detalhes que passam desapercebidos ou são desconhecidos por grande parte dos cristãos mas que tem uma influência muito grande na eficácia de argumentos na apologética. Nesse primeiro post iremos tratar de um detalhe útil nas discussões com arianos e antitrinitarianos em geral. Ele é conhecido como a regra de Granville Sharp

No Grego Koiné existe uma regra gramatical simples, porém muito importante, que está diretamente relacionada à Divindade do Senhor Jesus Cristo conforme exposta nas Escrituras: a regra de Granville Sharp. Ela basicamente lida com o sentido de passagens como Tito 2:13 e 2 Pedro 1:1, cujas traduções são deturpadas por grupos antitrinitarianos. Sendo assim, acreditamos que todo cristão deve estar informado a respeito desse assunto (ainda que de maneira breve).

A regra de Granville Sharp afirma que caso encontremos dois substantivos descrevendo uma pessoa (que não sejam substantivos próprios como Paulo, Silas ou Timóteo) e eles estejam ligados pelo conectivo “e”, com o primeiro apresentando o artigo (“o”) e o segundo não, então ambos substantivos estarão se referindo à mesma pessoa. Isso é exemplificado em nossos textos pelas palavras “Deus” e “Salvador” em Tito 2:13 e 2 Pedro 1:1:

… enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo.” (Tito 2:13)

Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, àqueles que, mediante a justiça de nosso Deus e Salvador Jesus Cristo, receberam conosco uma fé igualmente valiosa” (2 Pedro 1:1)

Continuar lendo “Pequenos detalhes que todo cristão deveria saber – Parte 1”

O mito das 30 mil denominações protestantes

Se você já teve a oportunidade de ouvir um relato de conversão de um ex-protestante que se tornou católico, você já deve ter ouvido o argumento. Se você lê os debates online, já o viu sendo repetido ad nauseum. O argumento é mais ou menos o seguinte:

Existe apenas uma igreja verdadeira: a Igreja Católica Apostólica Romana! Olhe agora para o protestantismo! Quantas denominações vocês tem? Mais de 30 mil, e a cada dia surgem mais! Sabe porque? Por causa do Sola Scriptura!

Erro 1 – Lógica Básica

Antes de verificar a fonte desse argumento e os problemas a ela associados, devemos deixar claro que todo o argumento apresentado é simplesmente falso. Falha miseravelmente em cada nível possível. Os saltos de lógica e argumentação são vastos, mas vamos apenas focar em dois dos problemas mais óbvios.

Em primeiro lugar, como é que o apologista católico romano pode demonstrar que o Sola Scriptura é a real causa dessas divisões? Por exemplo, quando vemos divisão nas diversas classes da ICAR, encontramos fortes divergências sobre questões-chave. Será que podemos concluir então que o magistério romano é o culpado pelas diferenças de ponto de vista? Creio eu que não. Se um cristão acredita que a Escritura é regra suficiente de fé, como é que se pode chegar a conclusão de que um abuso dela possa ser um argumento contra sua suficiência? Não é uma consequência lógica. As Escrituras podem ser perfeitamente suficientes, mas os homens ainda são pecadores. Os homens ainda são imperfeitos. Os homens ainda são ignorantes. E, mais importante, os homens ainda têm as suas tradições. Dessa forma, enquanto os apologistas romanos fingem que o real culpado pelas divisões seja o Sola Scriptura, essa suposição se mostra insuficiente para provar o argumento.

Continuar lendo “O mito das 30 mil denominações protestantes”