“Dawkins já passou da validade” diz avaliador da Revista Nature

Na revista Nature, Nathaniel Comfort oferece uma avaliação devastadora de Richard Dawkins como um cientista, incluindo o seu encantamento com simulações de computador:

Muito da pesquisa de Dawkins tem sido in silico, escrevendo programas para simulações evolutivas. Em suas simulações, a vida é totalmente determinada por genes que especificam as regras de desenvolvimento e traços fixos como cor, por exemplo. Quanto mais realistas seus animais digitais (“biomorfos”) se tornam, mais convencido ele está de que os genes do mundo real funcionam aproximadamente da mesma maneira. Os críticos de Dawkins o acusam de determinismo genético. Esta sinopse de sua obra mostra que sua vida praticamente depende disso.

Uma estase curiosa subjaz no pensamento de Dawkins. Seus biomorfos são baseados em suposições que datam de 1970. Naquela época, com raras exceções, cada gene especificava uma proteína e cada proteína era especificada por um gene. O genoma era um texto linear – uma lista de peças ou um programa de computador para formar um organismo – isolados do meio ambiente, com as regiões codificantes intercaladas com “lixo” genético.

O genoma de hoje é muito mais do que um script: ele é uma estrutura tridimensional dinâmica, altamente sensível ao seu ambiente e quase fractalmente modular. Os genes podem ser fragmentários, com pedaços distantes da sequência de DNA misturados e combinados em arranjos combinatórios desconcertantes. Um universo de elementos reguladores e moduladores se esconde no “lixo” antigo. Os genes cooperam, evoluindo em conjunto como uma unidade para a produção de características (ou traços). Muitos investigadores continuam achando o DNA egoísta uma idéia produtiva mas, olhando para o futuro, o gene egoísta per se parece cada vez mais uma construção do século XX.

A sinopse de Dawkins mostra que ele não se adaptou a este ponto de vista. Ele vê a cooperação entre os genes, mas assimila-a a uma espécie de egoísmo. O microbioma e o genoma 3D passam despercebidos. A epigenética é um “fenômeno interessante, se não for raro” que está desfrutando de seus “quinze minutos de fama científica”, e tem permanecido assim desde 2009, quando Dawkins fez a mesma afirmação no “The Greatest Show on Earth” (Transworld). Dawkins adere a uma linguagem determinística de “genes pelos” traços. Como eu e outros historiadores têm demonstrado, tal hereditariedade serve como uma luva para os realistas de raças.

(N. Comfort Nature 513, 306-307; 2014)

Observe a referência ao DNA lixo “antigo”, Confort reconhece que a epigenética e seu impacto no pensamento evolucionista não são fogo de palha, e reconhece  o papel que o determinismo genético desempenha nas mãos dos racialistas – e, pode-se acrescentar, genuíno racistas.

Comfort, um historiador da ciência na Universidade Johns Hopkins, não se impressiona com o evangelismo ateu feito por Dawkins, mas ele trata isso brevemente. Em “Why Evolution is True“, Jerry Coyne acusa Comfort de não tentar argumentar contra Dawkins sobre a questão de Deus. Mas ele não precisa. A postura agressiva ateísta compartilhada por Dawkins e Coyne é supostamente uma inferência feita a partir da ciência. Se a ciência deles já está ultrapassada, o que mais se tem a dizer?

Todos concordam que Dawkins é um escritor fantástico – o seu “maior presente foi como letrista”, diz Comfort. Nessa questão, nós, da comunidade do Design Inteligente poderíamos aprender muito com ele.

Mas um cientista cujo legado equivale a pouco mais do que o seu estilo de prosa não irá permanecer nos livros de história, pelo menos não de forma destacada. Nem se deve ter preocupação sobre seus ácidos devaneios sobre afé, eles não não terão muito impacto a longo prazo.

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