Uma nova tática do movimento pró-escolha

A mais nova tática usada pelos defensores do aborto é misturar os sentidos da palavra “vida” – usando ela para se referir tanto a “situação de vida” da mãe quando a “vida” da criança que não nasceu – com o único propósito de fazer com que o questionamento moral feito pelos seus opositores possa ser colocado de lado.

Alguns podem até dizer que “De certo modo, a escolha de abortar minha criança salvou a minha vida”. Bom, na verdade não. Não salvou a vida de ninguém. Essa pessoas está apenas se iludindo e achando que tal ato deu uma situação de vida melhor. Aqui, a mesma palavra “vida” está sendo usada para nos dar a impressão de que o que existia era uma decisão da vida dele versus a vida da criança – e que, portanto, as afirmações morais de ambos os seres humanos são igualmente fortes.

Mary Elizabeth Williams em seu artigo “E daí se o aborto acaba com uma vida?” diz explicitamente:

“De todas as jogadas diabólicas da torcida anti-escolha que já foram feitas, com certeza uma das maiores foi escolher a palavra “vida” para designá-los…
[O aborto] salva vidas não só no sentido literal e médico, mas de tal forma que as mulheres que tiveram a escolha, puderam escolher as melhores ocasiões para elas e suas famílias. E eu colocaria a vida de uma mãe acima da vida de um feto em qualquer ocasião – mesmo reconhecendo que o feto é de fato uma vida. É um sacrifício que vale.”  

Ela diz que colocaria “a vida da mãe acima da vida do feto”, mas ela não quer dizer que tanto a vida da mãe quanto a vida do feto, em seu sentido literal, estão em jogo. O que ela faz é simplesmente usar a mesma palavra “vida” para comparar a vida, em seu sentido literal, com “qualidade” de vida, na tentativa de empatar as afirmações morais na mente do leitor. O que na verdade ela quer dizer é que ela coloca a opção da mãe poupar dinheiro, ou prevenir dificuldades, ou simplesmente viver a vida que ela prefere, acima da vida literal de outro ser humano.

O que isso demonstra é que tivemos um bom progresso em convencer as pessoas de que as crianças não-nascidas são de fato seres humanos, e que a plateia pró-escolha está começando a perceber que nossa intuição moral nos motiva a defender aqueles que ainda não nasceram. Sabemos que as afirmações morais envolvendo “vida” e “situação de vida que eu quero” não são iguais, mas se os pró-escolha usam a mesma palavra para ambos, talvez eles consigam re-moldar nossa intuição.

Pode esperar para ver esse truque ser usado mais frequentemente, e desafie-o quando ouvi-lo. Pergunte a pessoa explicitamente o que ela quer dizer por “vida” no caso da criança e no caso da mãe, então examine se essas definições são moralmente equivalentes.

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