Uma rápida argumentação em favor dos Evangelhos

A tão divulgada “procura pelo Jesus histórico” já tem mais de cem anos. Durante todo esse tempo, nada foi descoberto que pudesse desmerecer os relatos dos Evangelhos. Não há nenhum “nova evidência” apoiando a idéia de que o Filho de Deus, que realizava milagres, foi o resultado de uma evolução de um mito ao longo do tempo. Muito pelo contrário, as descobertas recentes tem dado mais credibilidade para o conteúdo dos próprios Evangelhos.

Descobertas recentes da arqueologia, por exemplo, mostram-nos que os funerais eram realizados de forma diferente na Galiléia e em Jerusalém, que vai de acordo com os detalhes nos Evangelhos. Uma pessoa que fabrica uma história gerações após o fato não saberia disso por causa da devastação na Galiléia pelos romanos em 70 dC.

Isso não prova que Jesus ressuscitou dos mortos, mas é uma de uma série de coisas que foram descobertas ao longo do tempo que apontam para os detalhes precisos dos relatos dos Evangelhos. Isto dá força à alegação de que os escritores foram testemunhas oculares dos acontecimentos.

Por exemplo, sabemos que o apóstolo Paulo morreu durante a perseguição de Nero em 64 dC. Paulo ainda estava vivo no final de Atos, de modo que a escrita deve ter sido feita algum tempo antes de 64 dC. E sabemos que Atos é uma continuação do Evangelho de Lucas, que deve, por sua vez, foi escrito ainda antes. O livro de Marcos antecede Lucas, isso é até mesmo reconhecido pelo Jesus Seminar. O que coloca o Evangelho de Marcos nos anos 50, pouco mais de vinte anos após a crucificação.

É indiscutível que Paulo escreveu Romanos em torno dos anos 50, e no início dessa epístola ele proclama a Jesus como o Filho de Deus ressuscitado . Gálatas, outra incontestável epístola Paulina, de meados da década de 50, registra a interação de Paulo com os principais discípulos (Pedro e Tiago), pelo menos 14 anos antes (Gl 1:18, cf. 2:1).

O Jesus Seminar afirma que o humilde sábio de Nazaré foi transformado em um filho de Deus realizador de milagres no final do primeiro e início do segundo século. As epístolas, porém, registram a cristologia dentro de 10 a 20 anos após a crucificação! Um período tão curto não é suficiente para que um mito ou lenda se estabeleça, ainda mais quando muitos ainda estavam vivos para contradizer os supostos erros dos eventos que eles mesmo testemunharam.

Quem seguiria esse homem?

Até mesmo os membros do Jesus Seminar (com exceção de John Dominic Crossan) admitem que Jesus foi executado em uma cruz romana. Mas por que ele foi morto? Quem seguiria este Jesus devastado? Quem se importaria se ele estava vivo ou morto?

O estudioso John Meier afirma que um Jesus que “passou o tempo contando parábolas … ou o calmo Jesus que disse às pessoas para olharem para os lírios do campo … não ameaçaria ninguém, assim como o conjunto de professores que inventou esse Jesus não ameaça a ninguém “.[1]

Como JP Moreland resume, o que o Jesus Seminar está nos pedindo é acreditar com base em nada mais do que a força de seus pressupostos filosóficos: “É necessária a suposição de que alguém, gerações após os eventos em questão, tenha radicalmente transformado as informações autênticas sobre Jesus que circulavam naquela época, substituído um conjunto de materiais quase quatro vezes maior, enquanto a igreja sofria amnésia coletiva para aceitar a transformação como legítima”. [2]

Não há nenhuma boa razão para supor que os Evangelhos foram fabricados ou distorcidos em sua releitura. Vez após vez os escritores do Novo Testamento afirmam ser testemunhas oculares dos fatos. E seus registros foram escritos muito cedo, enquanto suas lembranças ainda eram claras e outras testemunhas podem confirmar os relatos. Querendo ou não, os Evangelhos são os primeiros relatos da vida e obra de Jesus.

[1] John P. Meier, A Marginal Jew: Rethinking the Historical Jesus , vol. 1 (New York: Doubleday, 1991), p. 177, quoted in Jesus Under Fire (Grand Rapids: Zondervan, 1995), p. 21.

[2] Moreland and Wilkins, Jesus Under Fire (Grand Rapids: Zondervan, 1995), p. 22.

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