Jesus Seminar e suas suposições

Jornalistas freqüentemente fazem referência aos 74 “estudiosos” do Jesus Seminar como se representassem o mainstream da erudição bíblica. É preciso esclarecer que ser um estudioso de boa-fé, no entanto, significa mais do que apenas ter um diploma. Geralmente, um estudioso é aquele que demonstra um domínio na sua disciplina e que faz contribuições acadêmicas no seu campo de pesquisa.

Por esta definição, apenas 14 dos 74 membros do Jesus Seminar se qualificam, o que inclui estudiosos como John Dominic Crossan e Marcus Borg. Vinte outros são reconhecidos na área. Um quarto do grupo, porém, são totalmente desconhecidos (um é um produtor de cinema), e metade deles vêm de um conjunto de três escolas ultra-liberais: Harvard, Claremont e Vanderbilt.

Dá pra perceber que o Jesus Seminar não pode ser visto como a indiscutível visão do parecer acadêmico. Isso não significa que as suas conclusões são falsas, o que significa é que há apenas uma voz de muitas; o Jesus Seminar é visto até mesmo por estudiosos liberais como suspeito e beirando o extremismo.

No que eles acreditam?

O Jesus Seminar promove reuniões duas vezes ao ano para dissecar passagens bíblicas. Seu objetivo: separar fato histórico de mitologia. Até agora, eles rejeitaram como mito a ressurreição de Jesus, o nascimento virginal, todos os milagres do Evangelho, e um total de 82% dos ensinamentos atribuídos a Jesus – todos rejeitados sob a alegação de serem acréscimos lendários sem fundamento histórico. Por exemplo, apenas duas palavras do Pai Nosso permanecem como autênticas: “Pai Nosso”.

Um artigo do L.A. Times [1], sob o título “Estudiosos alegam falta de evidência da ressurreição”, também feito com o subtítulo: “O controverso Jesus Seminar avalia o Novo Testamento, mas seus membros afirmam que o significado religioso do evento não depende do registro histórico.”

Pelo que dá pra entender, há duas coisas que o Jesus Seminar tem a dizer sobre a ressurreição de Jesus. Em primeiro lugar, ela nunca aconteceu. Não há nenhuma evidência histórica. Em segundo lugar, não importa. Os cristãos ainda podem celebrar a Páscoa com sua mensagem simbólica de esperança e de vida nova.

Robert Funk, o fundador, chama Jesus de “um sábio secular que satirizou o religioso e defendeu os pobres.” Em seguida, ele acrescenta: “Jesus foi talvez o primeiro homem a realizar um stand-up judaico. Dar origem a uma nova religião nunca passou por sua mente.”

Isso não é algo estranho para se dizer sobre Jesus? Jesus não ressuscitou dos mortos. Ele não faz milagres. Ele não nos deu o maior ensinamento do mundo. Em vez disso, Ele era um apresentador de stand-up, de acordo com o fundador do Jesus Seminar.

Quais suas suposições?

A pergunta mais importante que se pode fazer sobre qualquer ponto de vista (uma questão que quase nunca é feita pela imprensa) é a seguinte: Por que eles acreditam nisso? Isso nos permite determinar se as razões levam adequadamente às conclusões.

Todo mundo tem um ponto de partida. O ponto de partida do Jesus Seminar é cuidadosamente escondido do público em geral, mas é a questão mais crítica. Por que eles afirmam que não há evidência para a ressurreição? Essa é a questão chave.

Seu raciocínio é mais ou menos isso: É impossível que os Evangelhos sejam historicamente precisos, porque eles registram coisas que simplesmente não podem acontecer, como pessoas mortas entre os vivos, multiplicação de alimentos – em outras palavras, milagres. Vivemos em um universo fechado de ordem natural, com Deus (se Deus existe) bloqueado, nunca penetrando o sistema. Se milagres não podem acontecer, então os relatos do Novo Testamento, naturalmente, devem ser fabricações. Portanto, os Evangelhos não são históricos.

Além disso, se os milagres não acontecem, então profecia (um tipo de conhecimento milagroso) muito menos. Os Evangelhos relatam que Jesus profetizou a queda de Jerusalém. Portanto, não poderia ter sido escrito no início, mas depois da invasão de Tito em Roma em 70 dC. Além disso, eles não poderiam ter sido escritos por testemunhas oculares como os Pais da Igreja afirmavam.

Note que o Jesus Seminar não começa com a evidência histórica, ele começa com pressupostos! Suposições, até onde sei, não servem como prova. Isso não é história, é filosofia, sendo mais específico, a filosofia do naturalismo.

Robert Funk admite isso: “Os evangelhos são agora vistos como narrativas em que a memória de Jesus é embelezada por elementos míticos que exprimem a fé da Igreja nele, e por ficções plausíveis que melhoravam  na hora de contar a história do evangelho para os ouvintes do primeiro século… “[2]

A imprensa então propaga as seguintes conclusões que o Jesus Seminar afirma serem baseadas em dados científicos e na análise histórica: a ressurreição não aconteceu, os milagres são mitos, não há profecia autêntica na Bíblia, os Evangelhos foram escritos muito tempo depois dos acontecimentos, não foram escritos por testemunhas oculares, o testemunho dos pais da igreja primitiva não podem ser confiáveis.

Isso é enganoso, entretanto, porque o Jesus Seminar não concluiu de forma alguma que os Evangelhos são imprecisos. Se você começa com suas conclusões, você não demonstrou nada, você está trapaceando.

Quem são os “mente-fechada” mesmo?

É porque pessoas como Robert Funk começam com a visão “científica” de que não pode haver milagres, que seu viés elimina arbitrariamente as opções antes mesmo do jogo começar. Funk conclui que os Evangelhos foram adulterados porque sua filosofia exige isso! Ele não pode considerar qualquer evidência de ressurreição, porque ele fechou sua mente para a possibilidade de milagres.

Um cristão não é tão sobrecarregado. Ele acredita nas leis da natureza, mas também está aberto para a possibilidade da intervenção de Deus. Ambos estão de acordo com sua cosmovisão. Isso significa que ele pode ser fiel à evidência, sem impedimentos por uma visão metafísica que elimina automaticamente as opções sobrenaturais antes mesmo de ver as provas.

Os artigos de jornais, no entanto, mostram as coisas no sentido contrário. Por vezes chegam a mencionar um reitor de um seminário batista que disse que o trabalho do Jesus Seminar está gerando uma guerra entre fé e história nos cristãos.

O que é lamentável sobre esta representação é que ela coloca a análise “histórica” ​​e “científica” do Jesus Seminar contra os pobres coitados que dependem apenas de “fé”. E uma vez que os fatos da história estão contradizendo a fé de alguns, os cristãos ficam chateados. É como se estivessem dizendo: “Por favor, não me diga essas coisas e me confunda com os fatos. Isso pode enfraquecer minha fé.” Isto lança os crentes como patetas, obscurantistas que querem se apegar à fantasia.

No post https://olhaievivei.wordpress.com/2013/08/09/uma-rapida-argumentacao-em-favor-dos-evangelhos/, é apresentado um breve comentário sobre a datação dos Evangelhos.

[1] – Los Angeles Times , March 11, 1995.

[2] – Robert Funk, Roy Hoover, and the Jesus Seminar, The Five Gospels: What Did Jesus Really Say? (New York: Macmillan, 1993), p. 5, quoted in Moreland and Wilkins, Jesus Under Fire (Grand Rapids: Zondervan, 1995), p. 4.

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